ASMA
14/08/2013 12:17Asma
A asma é uma condição multifatorial, sendo determinada como uma interação de fatores genéticos e ambientais que levam a uma inflamação crônica das vias aéreas em indivíduos suscetíveis. Com esta inflamação, os brônquios sofrem um estreitamento, dificultando a passagem de ar. Suas principais características são:
· obstrução das vias aéreas reversível espontaneamente ou com tratamento;
· inflamação das vias aéreas;
· aumento da reatividade das vias aéreas a uma variedade de estímulos.
Sintomas e diagnóstico
Os sistomas mais comuns são tosse, chiado, falta de ar, sensação de aperto no peito ou opressão. O padrão desses sintomas varia para cada paciente. Eles podem ser:
· perenes (contínuos);
· sazonais;
· perenes com exacerbações sazonais;
· contínuos;
· episódicos;
· contínuos com exacerbações agudas
Tratamento
O objetivo do tratamento da asma não é a cura total. O uso de antiinflamatórios e drogas bronco dilatadoras visa apenas:
· o controle dos sintomas;
· prevenir crises agudas;
· manter função pulmonar o mais próximo possível da normalidade;
· permitir atividades normais, inclusive exercícios;
· evitar os efeitos colaterais dos medicamentos;
· prevenir o desenvolvimento de obstrução irreversível das vias aéreas;
· prevenir a mortalidade por asma.
1 - Quais são os fatores precipitantes?
Infecções respiratórias virais. Exposições a alérgenos ambientais (poeira doméstica, pólens, fungos, descamação de animais ou secreções como saliva e urina, baratas). Exposição a alérgenos ou produtos químicos ocupacionais. Mudança de ambiente (nova casa, local de trabalho etc.) Exposição a irritantes, especialmente fumaça de tabaco e odores fortes, poluentes do ar (ozônio, óxido nitroso, óxido sulfúrico, produtos químicos ocupacionais, vapores, gases e aerossóis). Expressões emocionais: raiva, tristeza, frustração. Drogas (ácido acetil salicílico, antiinflamatórios não esteróides e outros ). Aditivos alimentares (sulfitos). Mudanças climáticas, exposição ao ar frio. Exercício, choro e excesso de riso. Fatores endócrinos (menstruação, gravidez, doenças da tireóide).
2 - Qual o impacto da asma na vida do paciente?
Asma tem importância não somente para o paciente como para seus familiares. Para o paciente isto pode ser avaliado pelo número de idas ao pronto socorro e hospitalizações; número de faltas à escola ou ao trabalho; limitação de atividades principalmente os esportes; pelo despertar noturno; efeito no crescimento, desenvolvimento, comportamento, desempenho escolar e estilo de vida. Na família, pela alteração na dinâmica familiar, rotinas ou restrição de atividades; efeitos nos irmãos e cônjuge; impacto econômico.
3 - Outras doenças podem simular a asma?
Apesar de episódios recorrentes de tosse e sibilos serem quase sempre devidos à asma, outras causas podem levar à sibilância. Há uma longa lista, mas os mais prováveis são:
· Lactentes e crianças - obstrução envolvendo grandes ou pequenas vias aéreas (corpo estranho na traquéia ou brônquio, bronquiolite viral e seqüelas, fibrose cística, displasia broncopulmonar, refluxo gastroesofágico e insuficiência cardíaca, entre outros).
· Adultos - obstrução mecânica das vias aéreas, discinesia de laringe, bronquite crônica e enfisema pulmonar, infiltrado pulmonar com eosinofilia, tosse secundária a drogas (beta bloqueadores e/ou inibidores da ECA).
4 - Quais os exames necessários para o diagnóstico da asma?
Não existe um exame específico para o diagnóstico da asma. Com a história clínica, o exame físico e resultados laboratoriais, o diagnóstico correto pode ser feito na maioria dos casos. As medidas objetivas da função pulmonar para documentar a intensidade da crise devem ser realizadas em todos os pacientes nos quais o diagnóstico da asma está sendo considerado.
Outros exames são: raio X de tórax, raio X dos seios da face, hemograma completo, citologia do escarro e coloração para eosinófilos, citologia da secreção nasal, estudos de broncoprovocação, monitoração do PH esofagiano para refluxo gastroesofágico.
5 - Como fazer o diagnóstico em crianças pequenas?
O subdiagnóstico em crianças é muito comum. Vírus são importantes agentes desencadeadores de asma entre as crianças.
6 - Qual a relação da alergia com a asma?
A associação da asma e alergia tem sido reconhecida de longa data. O percentual de associação varia de acordo com os trabalhos científicos publicados e com a idade. Lactentes: As infecções virais constituem o principal fator desencadeante da asma. Os alérgenos inaláveis desempenham papel menos importante neste grupo etário do que em outras idades.
Crianças: novamente, as infecções respiratórias virais podem ser o agente desencadeante. Estudos em crianças com asma sugerem que a alergia influencia a persistência e a gravidade da doença. Os alérgenos importantes são os inaláveis.
Adultos: Os aeroalérgenos permanecem importantes em pacientes cuja doença teve início antes dos trinta anos ou que estão expostos a alérgenos ocupacionais.
7 - Asma pode ser classificada?
Sim, pode. De acordo com a intensidade dos sintomas ela pode ser classificada de leve, moderada ou grave.
8 - É importante o controle dos desencadeantes da asma?
Sim, a identificação e controle dos fatores desencadeantes que induzem inflamação das vias aéreas (indutores) e os que precipitam obstruções agudas (incitantes), são importantes no manejo da asma. Os indutores são alérgenos, sensibilizantes químicos e talvez agentes farmacológicos e infecções virais. Os incitantes são exercícios, ar frio, agravos emocionais.
9 - O que é poluição extra-domiciliar?
Ela é definida como acúmulo atmosférico de substâncias em um grau que se torna prejudicial a humanos, animais e plantas.
10 - E os poluentes intradomiciliares?
Os principais poluidores são: partículas respiráveis, NO, NO2, CO, CO2 e formaldeído.
11 - Qual a importância do tabaco?
A queima do tabaco produz uma complexa mistura de gases, vapores e material particulado. É extremamente irritante para a mucosa respiratória e aumenta a morbidade respiratória em crianças (fumantes passivos), inclusive asma, especialmente nos dois primeiros anos de vida. O risco é maior quando a mãe é fumante.
12 - Quais os principais alérgenos intradomiciliares?
Uma grande variedade de alérgenos é encontrada nos ambientes humanos: ácaros domésticos, animais de pelo, pássaros, insetos, fungos, pólens e bactérias.
13 - Como evitar estes alérgenos?
Fungos: remover ou limpar objetos mofados. A casa deve ser bem ventilada e com baixo nível de umidade.
Animais: não devem ser permitidos dentro de casa.
Ácaros: sua redução pode diminuir significativamente os sintomas, a hiper-reatividade e até o aparecimento da asma. Atenção especial deve ser reservada ao dormitório do paciente. As medidas recomendadas são as seguintes: encapar colchões e travesseiros, lavar roupa de cama semanalmente, evitar estofados recobertos de tecidos, utilizar piso liso, sintético, passível de limpeza com pano úmido e remover carpetes do dormitório.
Alimentos: os alimentos são causa rara de asma.
Medicamentos: alguns medicamentos podem agravar a asma: ácido acetilsalicílico e outros antiinflamatórios não hormonais, betabloqueadores, contrastes radiológicos entre outros.
14 - Quando deve ser indicada a imunoterapia específica?
A Imunoterapia Específica (IE) está indicada nos pacientes atípicos, nos quais não é possível evitar os alérgenos ou quando os cuidados ambientais rigorosos e a medicação farmacológica apropriada não ofereçam resultados satisfatórios no controle da asma.
15 - Quais são os medicamentos disponíveis para o tratamento da asma?
Os medicamentos usados para reverter e prevenir obstrução do fluxo aéreo são os agentes antiinflamatórios e drogas broncodilatadoras. Como a asma é uma doença das vias aéreas o tratamento por via inalatória é preferível à terapêutica por via oral ou sistêmica. O uso correto dos medicamentos por via inalatória é parte importante do tratamento e deve ser reavaliado a cada consulta médica.
16 - Quais são as drogas antiinflamatórias?
Os únicos agentes "realmente" antiinflamatórios (AI) são os corticosteróides (CE). Outros medicamentos têm demonstrado capacidade de influenciar modelos "in vivo" e "in vitro" da inflamação asmática (Cromoglicato dissódico e Cetotifeno). Os CE são os mais potentes redutores da hiper-reatividade brônquica, principal mecanismo para o desenvolvimento da asma.
17 - Qual o papel das drogas broncodilatadoras?
Elas atuam relaxando a musculatura lisa das vias aéreas, aumentam o transporte mucociliar e diminuem a permeabilidade vascular. Podem ainda bloquear a broncoconstricção causada por irritantes inalados. Devem ser usados apenas quando necessários e um aumento de seu consumo indicaria a perda de controle do quadro asmático.
18 - O objetivo do tratamento é a cura total?
Não, os objetivos do tratamento da asma são: controle dos sintomas, prevenir exacerbações agudas, manter provas de função pulmonar o mais próximo possível da normalidade, permitir atividades normais, inclusive exercício, evitar os efeitos colaterais dos medicamentos, prevenir o desenvolvimento de obstrução irreversível das vias aéreas e prevenir a mortalidade por asma.
Asma ou rinite?
A alergia é uma forma diferente de reagir a estímulos aparentemente inofensivos. As alergias mais freqüentes são a asma (ou bronquite) e a rinite. A primeira é crônica e provoca falta de ar, chiado e cansaço. Atinge 10% da população mundial e ainda causa a morte de muitos jovens. Já a rinite é decorrente da sensibilidade exagerada da mucosa nasal, caracterizando-se por espirros repetidos, coriza, congestão e coceira no nariz. Embora tenha sintomas semelhantes aos do resfriado, a rinite não dá febre e não é infecciosa. Há genes que determinam maior susceptibilidade à doença, que pode aparecer em qualquer idade, sendo mais comum na infância.
As principais causas da asma e da rinite são alergias à poeira doméstica, ácaros, mofo, pêlos de animais e alimentos. Entre os fatores irritantes, estão a fumaça do cigarro, as mudanças de tempo e poluição, além de gripes, resfriados, uso de certos medicamentos e aspectos emocionais, como o estresse. A poeira doméstica, por exemplo, mistura substâncias vivas e inertes, constituída de restos humanos, fibras de tecidos, escamas de pele humana e de animais, bactérias, mofo, bolores e ácaros. No inverno, a umidade e a temperatura favorecem ácaros e bolores. Além disso, a permanência das pessoas dentro de casa é maior durante a estação. O problema é agravado pelo uso de carpetes, cortinas e cobertores, fontes de ácaros.
A maior incidência de gripes e resfriados piora a asma e a rinite. Os sintomas da alergia são uma reação de defesa do organismo, que age através de anticorpos de um tipo especial (chamado de imunoglobulina E ou IgE), que o alérgico fabrica em grande quantidade. Estes anticorpos estão na mucosa respiratória e se ligam a um tipo de célula especial, chamada mastócito. A reação do alérgeno (substância que causa alergia) com o anticorpo IgE libera substâncias químicas pelos mastócitos (mediadores), provocando inflamação local, responsável pelo inchaço da mucosa. A repetição do processo alérgico causa inflamação crônica.
O médico pode realizar testes cutâneos alérgicos para confirmar o diagnóstico e programar o tratamento. As crises leves passam desapercebidas. Os sintomas são discretos e o sono não é prejudicado. Às vezes, tosse é o único sintoma. Nas crises moderadas, os sintomas são mais fortes, com chiados intensos, falta de ar, tosse e cansaço. A pessoa não dorme bem e não consegue praticar exercícios. Nas crises fortes, a falta de ar é grave, ocorre mal-estar, tosse e chiado intenso. Em alguns casos, a respiração é pesada e rápida. O indivíduo mal consegue falar ou caminhar.
Para controlar a asma, é preciso conhecer seu tipo, avaliar a função pulmonar (através da medida do sopro ou peak flow) e saber interpretar suas variações. A rinite alérgica prejudica muito a qualidade de vida e o convívio social. Os sintomas são espirros repetidos, coriza líquida abundante, coceira nasal, congestão nasal, olhos avermelhados e irritados, além de pigarro ou tosse. Mas muitos não se preocupam com os sintomas, que podem se manter por meses. Neste caso, o problema prejudica o nariz, forçando a respiração pela boca. Há sensação de desconforto na garganta, variando de pigarro a amigdalites e faringites repetidas.
Nas crianças, a respiração bucal prolongada leva também à diminuição do apetite. Estes pacientes dormem mal e roncam à noite, prejudicando o aprendizado na escola porque tornam-se sonolentas e desatentas.
Outras complicações da rinite são sinusites, amigdalites ou faringites, inflamações repetidas do ouvido e hipertrofia das adenóides (chamadas de carnes no nariz). Há alterações no olfato, no paladar e na audição, além de dores de cabeça, falta de ar, tosse, febre e olheiras. O inverno também propicia o aparecimento de infecções respiratórias, que causam espasmo (estreitamento), edema (inchaço) e inflamação, resultando em crises de rinite e asma. Alguns tipos de vírus provocam mais asma que outros. Um exemplo é o rinovírus, que ataca bebês. Por isto, o alérgico deve evitar locais com multidões ou contato com pessoas gripadas. Nas crianças alérgicas e nos idosos, são indicadas vacinas para tratar a gripe. As infecções por bactérias não têm relação direta com a rinite ou com a asma, embora possam agravar a inflamação das vias respiratórias.
Fátima Emerson e João Tebyriçá
(Médicos da Clínica de Ale rgia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro)
As alternativas de tratamento
A sinusite é a inflamação da mucosa que reveste os seios da face. Os sintomas são sinusite, dor de cabeça, congestão e secreção nasal purulenta. Nas crianças, a dor de cabeça pode estar ausente. O único sintoma é a tosse, que piora à noite. A sinusite piora a rinite e causa infecções oculares, pneumonias, asma e até meningite. Para cada pessoa e faixa de idade há diferentes fatores desencadeantes de alergia. Idosos, crianças e gestantes têm características imunológicas que os tornam mais vulneráveis às infecções respiratórias, aumentando as chances de piora da alergia no caso de virose respiratória. A tosse não é doença, mas um sintoma de alteração do organismo. Tossir é um reflexo natural para desobstruir as vias aéreas e constitui um mecanismo de defesa, auxiliando a expulsão de agentes nocivos das vias aéreas. Pode ser recente ou crônica, seca ou com catarro, ocorrendo isoladamente ou em acessos, com horários certos ou não. Pode ser rouca ou até acompanhada de vômitos associados. É importante que o paciente e a família saibam que, se a tosse permanecer, é necessário consultar um médico, em vez de insistir no uso de xaropes caseiros.
As asma e a rinite precisam ser tratadas de forma contínua e não só nos momentos de crise. O primeiro passo é identificar a causa da alergia e afastá-la. Para asma e rinite, recomendam-se medidas de controle ambiental contra a poeira e ácaros. O segundo passo é a escolha de remédios para reduzir a inflamação e controlar os sintomas. O terceiro passo é o uso de vacinas (imunoterapia). Quanto mais se consegue melhorar o ambiente da casa onde vive o alérgico, melhores os resultados, menos remédios e menos vacinas. Medidas devem ser tomadas para evitar o contato abusivo com os alérgenos, principalmente em relação à limpeza de casa e dormitório. A limpeza diária da casa deve ser feita com pano úmido, evitando o uso de espanadores. O ideal é que o ambiente seja arejado, sem tapetes ou cortinas. Deve-se evitar animais dentro de casa. O cigarro é proibido.
Para a rinite, indicam-se antialérgicos ou anti-histamínicos (medicamentos que aliviam os sintomas como coriza, espirros e obstrução nasal), sob a forma de xaropes, comprimidos e, atualmente, em sprays para uso nasal. Mas o tratamento da rinite alérgica exige medicações preventivas como cromoglicato dissódico ou os corticóides nasais, que atuam como agentes inibidores da inflamação alérgica. Para a asma, há medicamentos de alívio, como os broncodilatadores, usados no momento de crises e remédios preventivos, como cromoglicato, o nedocromil e sprays de corticóides (que reduzem a inflamação), usados sob orientação médica.
O objetivo das vacinas é diminuir a sensibilidade à poeira e aos ácaros. O tratamento é a longo prazo, mas tem bons resultados. As injeções são subcutâneas, com doses crescentes do antígeno. A alergia é crônica e deve ser tratada também de forma preventiva, Recomenda-se praticar esportes ao ar livre, ter alimentação saudável, com bastante líquido e não fumar. O alérgico, bem orientado, pode levar uma vida normal, sem restrições.
Pico de fluxo expiratório: um termômetro para a asma.
Um medidor do pico de fluxo expiratório para um paciente com asma é como um termômetro para um paciente com febre. O medidor do pico de fluxo expiratório ajuda a determinar o quanto as suas vias aéreas estão abertas, ao invés de apenas adivinhar como você se sente. Em alguns casos, quando você não está se sentindo bem, você pode se sentir "quente" ou "febril", mas quando você mede sua temperatura com um termômetro, ela está normal. Com a asma, às vezes você pode sentir sua respiração "apertada" ou seu peito pode parecer "pesado", mas a sua função pulmonar está normal. O medidor do pico de fluxo expiratório pode ajudar a determinar se a sensação de aperto no peito é realmente uma mudança nas vias aéreas ou não, assim como o termômetro ajuda a determinar se sua sensação de calor é realmente uma febre.
Pacientes podem se beneficiar do uso do medidor de pico de fluxo expiratório de várias maneiras: para reconhecer que a asma pode estar ocorrendo à noite; para aumentar a percepção da asma; para identificar fatores que piorem a doença e para prever a piora da asma.
O que é um medidor de pico de fluxo?
O medidor do pico de fluxo expiratório é uma invenção simples, portátil e barata que mede o fluxo aéreo ou o valor do pico de fluxo expiratório (PFE). Existem vários medidores disponíveis, que variam discretamente em exatidão, durabilidade e preço. Se usado apropriadamente, o medidor de pico de fluxo expiratório pode ser uma ferramenta valiosa no manejo da sua asma. Os medidores de PFE são encontrados facilmente, mas idealmente devem ser usados com a recomendação de um médico.
Uso de medidor do pico de fluxo expiratório.
Os medidores do PFE podem ser usados para:
· Determinar a severidade da asma;
· Verificar a resposta ao tratamento durante um episódio agudo de asma;
· Monitorizar o progresso no tratamento da asma crônica e fornecer informações para qualquer possível ajuste na terapia;
· Detectar a piora na função pulmonar e evitar uma possível crise severa com uma intervenção precoce;
· Diagnosticar asma induzida por exercício.
Uma das mais importantes funções do medidor do PFE é ajudar o paciente e o médico a avaliar a severidade da asma. A queda dos valores do PFE antes dos sintomas da asma serem notados indica que um ajuste é necessário. O sinal de alerta precoce pode significar a adição de uma medicação em outras mudanças no plano de tratamento. Quanto mais cedo for dado o sinal de alerta e mais rápido o problema for corrigido, menos medicação e menos tempo serão necessários para trazer o pulmão de volta ao normal. Alguns pacientes com asma têm estabelecido um plano de ação com seus médicos, então eles sabem qual medicação adicionar se o PFE cair abaixo de um determinado nível. No entanto, medidas do PFE não são substitutas para medidas espirométricas no consultório do médico, muito úteis para estes propósitos.
Um treinamento é necessário?
Com a monitorização domiciliar do PFE, é essencial que o paciente siga algumas recomendações importantes:
· Aprender com um profissional experiente como usar adequadamente o medidor de PFE;
· Aprender como e quando anotar (em uma tabela) as medidas do PFE;
· Aprender o que fazer se as medidas do PFE caírem.
Pais com crianças pequenas também devem aprender essas recomendações. Os pacientes dever levar seus medidores do PFE ao consultório médico para checar a exatidão do aparelho e para revisar o seu uso correto.
Asma à noite
A asma é normalmente pior à noite, embora alguns pacientes não despertem apesar dos baixos níveis do PFE. Quando nós dormimos, há uma diminuição na quantidade de oxigênio no sangue, mas em asmáticos esta queda na oxigenação pode ser mais freqüente e mais longa. A severidade da asma à noite poder ser monitorizada com o medidor do PFE. Você não tem que acordar à noite para usar o aparelho. Compare a medida matinal com medida da noite anterior para determinar o grau de asma noturna. Uma queda de 15% ou mais em relação à medida da noite anterior pode indicar asma noturna, que você poderá corrigir com seu médico.
Uma ferramenta de medidas objetivas
O uso da monitorização regular do PFE tem ajudado os pacientes a ter uma idéia clara de como seus pulmões estão funcionando. Sem medidas objetivas é difícil determinar quais fatores que podem causar piora na função pulmonar. Para descobrir estes fatores, você pode anotar as medidas do PFE antes e depois de exposição a alérgenos, irritantes ocupacionais, exercício, ou outros eventos potencialmente desencadeantes de asma. As medidas do PFE durante diferentes estações do ano podem ser causadas por pólens ou ar frio ou seco. Os muitos benefícios do uso correto do medidor do PFE fazem ele ser considerado de grande importância no acompanhamento de qualquer paciente asmático, especialmente se a asma está sendo difícil de ser manejada.
Etapas para usar um medidor do PFE.
Existem várias etapas para se usar corretamente um medidor de PFE. Você deve soprar com força no aparelho para atingir a melhor medida possível, e repetir essa tentativa três vezes. Anote a melhor das três tentativas. Todas as três medidas devem ser próximas, para mostrar que um bom esforço foi feito em cada vez. Isto é especialmente importante quando os pais estão avaliando a asma de suas crianças. Além disto, é útil anotar medidas antes e depois do uso de broncodilatadores inalatórios. O médico pode obter muitas informações revisando estas medidas. Isto também ajudará você adquirir uma melhor consciência da sua função pulmonar. Uma tabela de medidas de PFE, com cada dia anotado em uma coluna, ajuda você a mostrar como sua asma vai indo. Guarde na memória algumas recomendações para serem seguidas quando usar um medidor do PFE:
· Tenha certeza que o aparelho marca zero, ou está no valor basal;
· Fique de pé (a menos que esteja incapacitado; neste caso a posição deve ser a mesma para todas as manobras);
· Faça uma inspiração o mais profunda possível;
· Coloque o aparelho na boca e feche os lábios ao redor do bocal;
· Sopre o mais forte e rápido possível (um a dois segundos);
· Não tussa e não deixe a língua tapar o bocal;
· Anote o valor obtido;
· Repita todo o processo mais duas vezes;
· Registre o maior valor dos três valores obtido no seu diário.
Medidores de PFE necessitam algum cuidado. Siga as instruções de limpeza que acompanham o aparelho. Isto ajudará a manter a sua exatidão.
Estabelecendo seu "melhor PFE pessoal".
Apesar do seu PFE normal previsto ser determinado pela altura, idade e sexo, é preferível medir o controle da asma comparando as medidas diárias do PFE com seu "melhor PFE pessoal". Isto é definido como a maior medida que você pode atingir no meio de um dia bom, após usar seu broncodilatador inalatório. Seu médico pode ajudá-lo a determinar seu "melhor PFE pessoal" usando um forte regime medicamentoso para normalizar a função pulmonar, que será determinada pelas medidas altamente sensíveis da espirometria. Os valores podem ser correlacionados com seus próprios valores do PFE para traçar objetivos para o manejo da asma.
Manejo da asma: sistema do "semáforo".
Assim que o "melhor PFE pessoal" tenha sido estabelecido, todos os esforços devem ser feitos para manter os valores no mínimo em torno de 80% deste valor. O sistema de "semáforo" foi estabelecido para ser um guia para ajudar os pacientes no manejo da asma.
Zona verde
PFE 80% a 100% do "melhor PFE pessoal": SIGA - Você deve estar relativamente livre de sintomas e pode manter seu regime médico atual. Se você está usando medicações cronicamente e o PFE está constantemente na zona verde, com mínima variação, seu médico pode considerar uma gradual diminuição da sua medicação diária.
Zona amarela
PFE 50% a 80% do "melhor PFE pessoal": ATENÇÃO - A asma está piorando. Um aumento temporário na medicação para a asma é indicado. Se você usa medicação crônica, a terapia de manutenção irá provavelmente precisar ser aumentada. Entre em contato com seu médico para ajustar seu tratamento.
Zona vermelha
PFE abaixo de 50% do "melhor PFE pessoal": PERIGO- O controle da asma está falhando. Use seu broncodilatador inalatório. Se o PFE não retornar à zona amarela, entre em contato com seu médico imediatamente, ou inicie terapia agressiva orientada pelo médico. Em qualquer caso, a terapia de manutenção dever ser aumentada.
Este sistema de "semáforo" é apenas recomendação para simplificar o manejo da asma. O sucesso do controle da asma depende de uma parceria entre o paciente e o médico. Comunicação aberta e troca de informações podem ser melhoradas com a monitorização do PFE.
Datas Comemorativas - 07 de Maio - Dia Internacional da Asma
Instituiu-se o dia 7 de maio como o Dia Mundial da Asma para chamar a atenção das comunidades sobre esta doença, de tanta importância para a saúde da população. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, em conjunto com diversas instituições nacionais e internacionais, estará participando ativamente deste movimento. Em todo país, neste dia, ocorrerão diversas atividades, manifestações, distribuição de material informativo e entrevistas veiculadas através da imprensa. Serão divulgadas informações sobre a doença, sua importância para a saúde da população, novidades sobre pesquisas neste setor e novos tratamentos e remédios recém descobertos.
Recomendamos que neste dia 7 de maio todos os setores da comunidade brasileira tomem consciência do seu papel e se manifestem da forma mais adequada:
· A população deve ser conscientizada pela imprensa sobre o problema da asma e de que existem recursos eficazes para tratamento e capazes de melhorar a qualidade de vida dos doentes. Os enfermos (asmáticos) e familiares deverão ser informados sobre as possibilidades de melhor controlarem a doença.
· Os médicos, particularmente os especialistas (pneumologistas), devem divulgar pelos meios de comunicação, informações práticas sobre as formas mais adequadas de tratar a doença.
· Todos os profissionais envolvidos na assistência dos pacientes asmáticos devem chamar a atenção dos setores responsáveis pela assistência à saúde do governo e de instituições privadas sobre a necessidade de ser acionado um Programa Nacional de Controle da Asma, no sentido de garantir aos pacientes condições mínimas assistenciais e de obtenção de medicamentos.
Recomenda-se que nas clínicas e nos hospitais ocorram palestras e diversas atividades enfocando o problema da asma e a forma de melhor resolvê-lo. Conjunto de informações úteis sobre asma para a população:
· A asma é uma doença que tem controle.
· As mortes por asma devem-se, principalmente, à falta de reconhecimento da gravidade de uma crise.
· De nada valem as excelentes opções de tratamento existentes se não forem usadas.
· Bombinhas não fazem mal para o coração.
· Cortisona (corticóide) não faz mal, desde que usada corretamente.
· Na crise, começar o tratamento logo. Sempre que necessário ir imediatamente a uma Emergência.
· Usar a medicação regularmente e não interrompê-la por conta própria.
· Manter o ambiente de casa livre de poeiras, mofos e ácaros. Evitar contato excessivo com animais domésticos. Nunca fumar, nem passivamente.
· O recurso mais valorizado atualmente no manejo da asma é a Educação do Paciente, sendo fundamental que através do processo educativo se consiga uma mudança positiva do seu comportamento.
· Buscar a melhor qualidade de vida.
· Mesmo que o asmático já tenha informações sobre a doença e sobre o uso de medicamentos, isto não deve torná-lo auto-suficiente, sendo necessário manter contato com seu médico e fazer revisões periódicas (no mínimo, a cada 3 meses).
Para o tratamento da asma, procure um especialista. No Brasil, existem clínicas e hospitais especializados que oferecem programas de assistência médica (consultas, emergências e internações) e cursos de educação em asma. Desta forma, pacientes e familiares podem ser instruídos sobre como fazer o tratamento e como agir nas diversas situações. Utilizam-se neste processo de informação e assistência manuais e folhetos escritos pelos médicos das instituições.
A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, no cumprimento da sua responsabilidade para com a saúde da população brasileira, manterá continuadamente todos os seus meios de comunicação à disposição da imprensa e de quem tiver interesse para informar e apoiar no que for necessário para a melhoria da assistência da asma.
Dr. Luiz Carlos Corrêa da Silva
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