DPOC

14/08/2013 12:21

O que é?
Adultos fumantes ou ex-fumantes com dificuldade de respirar ou com tosse crônica podem ser portadores de DPOC

DPOC significa: “Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica”. A palavra Pulmonar significa nos pulmões. A palavra Obstrutiva significa que as vias aéreas (brônquios), tubos que transportam o ar para dentro e para fora dos pulmões, são parcialmente obstruídos. A palavra Crônica significa que ela não vai embora.

A DPOC é uma doença pulmonar habitualmente progressiva. A obstrução dos brônquios torna a respiração difícil. Pacientes com DPOC têm sintomas tais como tosse, produção de catarro e falta de ar em esforços mesmo pequenos. 

Se você tem DPOC você não está sozinho. Na realidade, mais de 3 milhões de brasileiros têm DPOC. 90% dos portadores de DPOC são ou foram fumantes por longo tempo. 

A maioria das pessoas não percebe que têm um problema até os 40 anos de idade ou mais. No início você pode notar falta de ar apenas com esforços grandes ou uma tosse pela manhã depois do café, ou depois de fumar o primeiro cigarro, que é tida como “tosse normal” ou como “tosse normal do fumante”. Lembre-se que o normal é não ter tosse. 

Muitas pessoas não descobrem que elas têm DPOC até que surge um ataque forte de bronquite. À medida que a doença progride, mesmo as atividades banais da vida diária tais como se vestir, caminhar, e mesmo comer, causam extrema falta de ar. 

Se você tem mais de 40 anos, é fumante ou ex-fumante, e tem qualquer um dos seguintes sintomas regularmente, você pode ser portador de DPOC:

  • Uma tosse crônica que persiste entre resfriados.
  • Expectoração de muco ou catarro.
  • Dificuldade para respirar

§  Falta de ar com atividades que antes eram feitas sem dificuldade.

Como os pulmões funcionam? 
O objetivo do médico ao tratar a DPOC é aliviar os sintomas. A lesão pulmonar causada pela DPOC é parcialmente irreversível, porém os sintomas podem ser tratados. Assim como o diabetes e a hipertensão, esta é uma doença que pode ser controlada e quanto mais precoce o diagnóstico, mais eficaz é o tratamento. 
Novos medicamentos tornaram a vida dos portadores de DPOC muito melhor.


O que causa a DPOC?

A causa mais importante é a fumaça do cigarro. Mesmo o fumante passivo pode desenvolver DPOC. Entretanto, por motivo ainda desconhecido, apenas 15% dos fumantes desenvolvem DPOC. 

O papel da poluição externa é menos importante, e não causa DPOC em não fumantes. No Brasil e em outros países algumas mulheres idosas desenvolvem DPOC por terem cozinhado vários anos em fogões a lenha, expostas à fumaça. 



Como se faz o diagóstico da DPOC?

O diagnóstico de DPOC deve ser considerado em qualquer indivíduo com história de exposição a fatores de risco e sintomas de tosse, produção de catarro, e falta de ar aos esforços. 

O diagnóstico é confirmado pela realização do teste de função pulmonar, que é também usado para verificar a gravidade da doença e para acompanhar a evolução e o resultado do tratamento. 

O indivíduo sopra em um aparelho chamado espirômetro, que registra a velocidade de esvaziamento dos pulmões (veja figura).


Pacientes com DPOC esvaziam mais lentamente o ar dos pulmões.

Quanto menos ar é eliminado em relação ao tempo, mais grave é a DPOC. O teste é repetido após administração de um medicamento para dilatação dos brônquios, para se verificar o quanto há de melhora. 

A DPOC é uma doença silenciosa durante muitos anos. Os pulmões têm uma grande reserva funcional, de modo que a falta de ar só começa a parecer quando o indivíduo já perdeu 40 a 50% de sua capacidade pulmonar. Vem daí a importância do teste de função pulmonar. A doença detectada mais precocemente pode ser mais facilmente tratada e pode-se interromper sua progressão. 

A radiografia de tórax só mostra enfisema pulmonar em casos avançados, de modo que não é útil para diagnóstico precoce da doença. Por outro lado, algumas radiografias podem dar a impressão de enfisema, mas que não é confirmado pelo teste de função pulmonar. 




DPOC é o mesmo que efisema?

Em parte. O termo DPOC engloba duas doenças, a bronquite crônica e o enfisema, que geralmente ocorrem juntas por serem ambas causadas pela fumaça do cigarro. Bronquite crônica é a inflamaçã o crônica dos brônquios. Os brônquios, para se defender da irritação da fumaça do cigarro, passam a produzir muco, na tentativa de varrer as impurezas que são inaladas, o que resulta em expectoração diária.

A inflamação dos brônquios e a contração exagerada dos músculos que recobrem as paredes resultam em estreitamento e dificuldade para a passagem do ar (veja figura abaixo). 


Na asma, também conhecida como “bronquite asmática” ou “bronquite alérgica”, há também uma inflamação dos brônquios, mas de um tipo diferente da encontrada na bronquite crônica. A asma em geral começa antes dos 40 anos e na maioria das vezes decorre de alergia, enquanto que a bronquite crônica começa em geral após os 40 anos, acontece em fumantes e não se relaciona com alergia.

O enfisema é o aumento e a destruição dos alvéolos (sacos de ar) dentro dos pulmões. A maioria das pessoas com DPOC têm uma mistura de bronquite crônica e enfisema. Os alvéolos se enchem quando inspiramos o ar e se esvaziam quando soltamos o ar, como pequenos balões. Cada alvéolo tem sangue que atravessa as suas paredes. Em cada respiração uma nova quantidade de oxigênio entra dos alvéolos para o sangue, de onde é transportado para todo o organismo. Sem oxigênio sobrevivemos por poucos minutos. 


No enfisema, com a destruição dos alvéolos, grandes bolsas de ar surgem nos pulmões. O tecido pulmonar perde a elasticidade, e os pulmões, como se fossem dois grandes balões murchos, não conseguem eliminar o ar, que fica preso, porque não tem força para se esvaziar e porque os brônquios estão mais fechados. O resultado é que o indivíduo precisa lutar por cada respiração.


 

Como se trata a DPOC?

O fumo é a principal causa da DPOC. Se você sofre de DPOC, você deve parar de fumar para impedir que os seus pulmões sejam mais lesados ainda. O mal feito não pode ser reparado, mas ao parar de fumar você deixa de perder mais capacidade pulmonar. É comprovado-portadores de DPOC que pararam de fumar vivem mais tempo. Procure orientação médica ou grupos de cessação do tabagismo. Novos tratamentos e estratégias eficientes podem ajudar você a parar de fumar.



ANTIBIÓTICOS

Muitos pacientes com DPOC sofrem crises periódicas, chamadas de exacerbações, definidas como piora dos sintomas da doença: mais falta de ar, mudança da cor e aumento do catarro e chiado. Normalmente, as exacerbações exigem consultas médicas adicionais ou idas ao pronto-socorro e, eventualmente, internação bem como alguma alteração na medicação. As infecções dos brônquios são a causa mais comum de exacerbação. Não espere ter febre. Antibióticos são freqüentemente prescritos nesta situação.

BRONCODILATADORES

Broncodilatadores abrem os brônquios. Embora existam broncodilatadores em forma de comprimidos e xaropes, a maior eficiência é conseguida pela sua utilização por inalação.
Existem broncodilatadores de rápido início de ação, que são usados para alívio imediato dos sintomas, quando há piora da falta de ar ou do chiado. Os mais usados vêm em forma de spray e devem ser usados com técnica adequada (figura).


Bombinhas não viciam, mas se você precisa do seu uso várias vezes, significa que outros tipos de medicamentos para abrir os brônquios devem ser acrescentados no seu caso, para melhor controle da doença.

Novos broncodilatadores, de ação prolongada são atualmente disponíveis, e devem ser indicados quando a falta de ar é constante, ou quando a bombinha de alívio é usada com freqüência. Em geral estes medicamentos existem em dispositivos para inalação em forma de pó, que deve ser aspirado para os pulmões (figura). O uso destas medicações alivia a falta de ar, melhora a qualidade de vida dos portadores de DPOC, e ainda reduz as exacerbações.

CORTICOSTERÓIDES

Os corticosteróides reduzem a inflamação dos brônquios. Por via oral devem ser usados nas exacerbações fortes, mas seu uso em longo prazo é desaconselhado. Por inalação funcionam melhor na asma do que em DPOC. São indicados em pacientes com exacerbações freqüentes na tentativa de sua redução.

EXERCÍCIO

O exercício é um componente importante de uma vida saudável. Se o seu coração e os seus músculos estão em forma, eles podem trabalhar com menos oxigênio, o que significa que você não precisa respirar tanto para fazer a mesma quantidade de trabalho. 


Muitas pessoas com DPOC evitam fazer exercícios por medo da falta de ar, levando a uma espiral perigosa de inatividade, descondicionamento e mais falta de ar. Antes de fazer exercícios passe por uma avaliação médica.

Programas de exercício gerais e específicos supervisionados são disponíveis em centros de reabilitação especializados


OXIGÊNIO 

Quando a DPOC é avançada o uso de oxigênio pode ser necessário. O oxigênio comprovadamente prolonga a vida dos portadores de DPOC e alivia a falta de ar. Para verificar se há necessidade do uso de oxigênio prolongado deve ser feita a medida do oxigênio no sangue retirado de uma artéria (gasometria), quando o indivíduo estiver fora de uma crise e com o tratamento ideal. 

O oxigênio pode ser fornecido por cilindros de aço (caros e fixos), por concentradores de oxigênio (do tamanho de uma TV grande, concentram o oxigênio do ar) e por oxigênio líquido (o mais caro, mas permite mobilidade por permiti o uso de um reservatório pequeno que pode ser carregado).


VACINA DA GRIPE

Pessoas com DPOC têm gripes mais complicadas do que outras pessoas, e a vacina contra a gripe deve ser feita de rotina.

 

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