TABAGISMO

14/08/2013 12:29

O que é?

A Organização Mundial da Saúde afirma que o tabagismo deve ser considerado uma pandemia, ou seja, uma epidemia generalizada, e como tal precisa ser combatido. Atualmente, morrem no mundo 3 milhões de fumantes por ano em conseqüência das doenças que o tabaco provoca. No Brasil estima-se 80 a 100 mil óbitos anuais relacionados ao fumo. O cigarro mata mais que a cocaína, heroína, álcool, incêndios, suicídios e AIDS, juntos. 

É responsável por 80% a 90% das mortes por câncer do pulmão, 80% causadas pela bronquite crônica e enfisema pulmonar e 30% dos infartos do coração. Aumenta o risco de câncer da boca, da laringe, do esôfago, estômago, pâncreas, rim e bexiga e de derrames do sistema nervoso central e aneurismas da aorta e abdome. Por diminuir as defesas orgânicas, o tabagismo também aumenta o risco de contrair doenças infecciosas, como tuberculose e gripe.

Até mesmo um só cigarro por dia é prejudicial. Os filtros dos cigarros retém apenas parte de algumas substâncias tóxicas. Os chamados cigarros com baixo teor de nicotina e alcatrão são também nocivos. Os tabagistas, para absorverem a dose de nicotina exigida pela dependência orgânica, tragam esses cigarros mais vezes e mais profunda e demoradamente. Com isso eles ainda absorvem maiores quantidades dos elementos tóxicos. Não há cigarro inócuo. O único cigarro que não faz mal é aquele que não se fuma.

O fumo encerra milhares de substâncias tóxicas: além da nicotina, já foram identificadas no cigarro mais de 4.700 substâncias. Conforme a qualidade do tabaco e a maneira de tragar, inala-se aproximadamente de 2.000 a 2.500 dessas substâncias. Em média traga-se 10 vezes um cigarro. Após uma tragada a nicotina chega ao cérebro em 7 segundos. Quem fuma um maço de cigarros por dia sofre, portanto, 200 impactos cerebrais de nicotina, totalizando 73.000 mil impactos por ano. Nenhuma outra droga age com esses volume e intensidade, provocando os malefícios e lesando praticamente todos os órgãos.

Cada vez que a nicotina chega ao cérebro provoca a liberação de grande quantidade de hormônios, muitos psicoativos. Os receptores específicos cerebrais que reconhecem a nicotina exigem, com o decorrer do tempo, quantidade cada vez maior da droga para dar o mesmo nível de resposta. É a nicotina-dependência, cujo tempo de instalação varia conforme os organismos e a quantidade de cigarros diariamente consumidos. Dos adolescentes e jovens que se iniciam no tabagismo, quando chegam aos 19 anos, 90% tornam-se nicotino-dependentes. 


Tratamento

O único tratamento é parar de fumar. É preciso que o tabagista tenha consciência de que o fumo é um vício por si só, e pode causar uma série de doenças e enfermidades. Parar de fumar não é uma tarefa fácil, afinal estamos tratando de uma dependência. Entretanto 70% das pessoas que procuram parar de fumar conseguem o seu intento. Os seguintes pontos são úteis a quem esteja considerando parar de fumar:

1.     A maioria das pessoas que conseguiu deixar de fumar não o conseguiu na primeira tentativa. Se tentou e voltou a fumar, tente de novo. Praticamente aqueles que não desistirem acabam conseguindo o intento.

2.     Para ter mais sucesso na tentativa, procure ler o que estiver ao seu alcance sobre tabagismo e saúde. O ser humano é inteligente e argumentos objetivos como os que ilustram a destruição da saúde pelo fumo suscitam uma reação desejável rumo ao objetivo. Assista conferências sobre o tema. Na maioria das capitais brasileiras a Igreja Adventista oferece o curso "Como parar de fumar em cinco dias". Os cursos não têm conotação religiosa e são considerados pela Organização Mundial da Saúde "de muito boa qualidade".

3.     Não tente parar progressivamente. Pare de uma só vez. Não há nenhum risco na interrupção abrupta. Por outro lado, a experiência com os que tentaram parar progressivamente é muito pouco encorajadora.

4.     Marque um dia que lhe seja conveniente. Avise sua esposa, familiares, seus amigos, companheiros de trabalho que a partir daquele dia você não mais fumará. Isto cria um ambiente solidário que lhe vai ser útil.

5.     Procure ingerir uma quantidade acima da média de líquidos. Ao iniciar a abstinência, evite bebidas estimulantes como café, chá preto e certamente o álcool. Aumente o número de banhos e procure engajar-se em um programa regular de atividade física. O melhor exercício é a caminhada. A atividade física, além de neutralizar o desejo de fumar, é um excelente componente para manter a boa forma aeróbia.

6.     Não se preocupe com algum ganho de peso nas semanas subseqüentes ao início da abstinência. Este pequeno aumento é normal e tende a desaparecer, ao natural, num prazo de seis meses. A regularidade dos exercícios físicos, mencionados no item anterior, é muito útil dentro da política de manutenção de um bom peso.

7.     95% das pessoas que param de fumar conseguem o seu intento sem fazer uso de nenhum medicamento. Se você já tentou várias vezes e não conseguiu poderá fazer uso de chicletes ou discos contendo nicotina. Eles ajudam a resistir à tentação de voltar a fumar, especialmente nas primeiras semanas. No caso de usar estes medicamentos, procure orientação médica. Eles são, por vezes, arriscados se utilizados sem a recomendação do médico.

Boa sorte! Você está dando um grande passo para a sua saúde e qualidade de vida. 



1 - A tendência da pessoa que pára de fumar é engordar? Caso positivo, como poderíamos contornar este problema? 

Sim, a maioria das pessoas que pára de fumar engorda moderadamente. Este ganho de peso tende a persistir por mais ou menos seis meses, quando o individuo costuma retornar ao seu peso anterior. Grandes ganhos de peso, no período imediatamente após a cessação do tabagismo, devem merecer uma atenção psicológica diferenciada.

O ganho de peso se deve à desintoxicação do aparelho metabólico do indivíduo, que passa a aproveitar mais plenamente o alimento que recebe. Vale ressaltar que o aumento ocorre mesmo que a pessoa não aumente número de calorias ou a quantidade de sua dieta.

Como foi dito, o ganho de peso se deve ao melhor aproveitamento do que é oferecido ao organismo. A situação é semelhante à de um motor de automóvel que, quando sujo ou mal regulado, consome muita gasolina por quilômetro andado. No momento em que o motor é limpo e regulado, o mesmo número de litros de gasolina permite andar um numero muito maior de quilômetros.

O ganho de peso ao parar de fumar deve merecer uma atenção especial pois constitui um argumento que, freqüentemente, faz com que mulheres desistam da tentativa de cessar o tabagismo.

É importante esclarecer que o fenômeno é transitório e, mais do que isso, significa um grande ganho na qualidade metabólica do organismo da pessoa. Para minimizar este efeito, dois conselhos são de maior valia:

- Alertar o indivíduo para que não aumente a sua ingestão calórica; - Estimular a prática de exercício físico (uma caminhada de meia hora, quatro dias por semana, permite neutralizar o ingestão de 1.500 calorias). O exercício, além de reduzir o engordar, tem o mérito de condicionar psiquicamente o indivíduo de maneira favorável, fazendo com que a abstenção do fumo seja por ele menos sentida. 

2 - Se existe uma pessoa que fuma no ambiente de trabalho e várias pessoas ao redor que não fumam, ou seja, fumantes passivos, poderíamos proibir esta pessoa de fumar? Estaríamos infringindo alguma lei ? Esta pessoa poderia entrar com um processo de discriminação?

Sim, é perfeitamente legítimo e legal pedir a uma pessoa que esteja fumando em ambiente fechado, desde que se trate de um lugar público, para que não fume, havendo outras pessoas não fumantes no mesmo ambiente. Há várias leis federais, estaduais e municipais que apoiam esta conduta. 

Em ambientes privados, particulares, não há a compulsão legal mas é perfeitamente válido expor ao fumante os riscos que esta criando e solicitar-lhe que não fume. O fumante não pode alegar discriminação nesta situação.

Vale considerar que o tabagismo é o único vício coletivo entretido por nossa sociedade. Quando o indivíduo bebe, ele bebe; quando o indivíduo se injeta cocaína, ele se injeta; mas quando o individuo fuma tabaco, ele dissemina a fumaça no ambiente fazendo com que os que nele se encontrem fumem também. Entra em causa aqui a definição mais aceita de liberdade, ou seja, aquele direito que termina onde começa o direito dos outros. O fumante não pode alegar que estão intervindo num assunto pessoal, uma vez que os efeitos por ele produzidos estão perturbando os direitos pessoais dos seus circundantes.

Complementarmente, e útil informar que há boa documentação mostrando que, em ambiente fechado, a pessoa não fumante, se acompanhada de uma outra fumando, fumará o equivalente a um terço dos cigarros fumados pela pessoa fumante. Esta relação é uma média e varia com o tamanho da sala considerada e com o número de pessoas que haja dentro dela. 

3 - Existe alguma obrigatoriedade por parte da empresa em separar fumantes e não-fumantes? O espaço para fumar, fumódromo, é obrigatório? 

Uma vez solicitada, a empresa deve assegurar ao funcionário não fumante o direito de não ter que trabalhar junto a outros funcionários fumantes. Isto vale para qualquer pessoa não fumante mas, muito especialmente, para mulheres que fazem uso de pílula anticoncepcional hormonal ou que se encontram em estado de gestação. Como se sabe, os riscos do fumo passivo, nestas situações, são varias vezes maior que o risco normal, que já não é pequeno. 

Não há obrigatoriedade de a firma criar fumódromos, embora os mesmos sejam desejáveis (a legislação local a este respeito deve ser consultada). A organização de um fumódromo, quando decidida pela empresa, deve obedecer a certos critérios mínimos. O fumódromo certamente não deve ser representado pelos banheiros da empresa, como foi hábito corrente logo que a campanha anti-tabágica assumiu maior proporção. Os banheiros são ambientes fechados, igualmente freqüentados por não fumantes, e acabam se constituindo em verdadeiras câmaras de gás, o que esta longe do objetivo buscado. O fumódromo deve ser um local amplamente ventilado, de preferência ao ar livre, ainda que protegido das intempéries. A ampla ventilação é importante para reduzir o efeito tóxico que o cigarro tem sobre o próprio fumante. 

Um conselho válido para todo o fumante que não consiga parar de fumar, é que fume ao ar livre. A intoxicação por cigarro ao ar livre é bem menor. Em ambiente fechado, o fumante inala diretamente a fumaça do tabaco durante as tragadas e continua a respirar esta fumaça, presente no ar que o circunda, nos intervalos das tragadas. Em outros termos, ele nunca respira ar puro. Ao ar livre, a fumaça se restringe aos períodos de tragada. 

4 - Um fumante passivo pode entrar com um processo judicial contra um fumante ativo desde que comprove que o fumante ativo prejudicou a saúde do fumante passivo? Já houve algum caso parecido? Como se encerrou o caso?

- Este direito certamente assiste ao não fumante que se sentiu prejudicado pelo fumo passivo a que foi exposto. Não há, no entanto, ao que eu saiba, jurisprudência formada a respeito. 

Prof. Dr. Mário Rigatto (In Memorian)

Professor de Medicina Interna, UFRGS
Pesquisador do CNPq
Membro da Academia Nacional e da Academia Sul- Rio Grandense de Medicina 

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